NOTÍCIAS

Confira as principais matérias do setor e fique por dentro!

Saúde e economia – Inovar e ampliar a produção local é indispensável

Saúde e economia – Inovar e ampliar a produção local é indispensável

A pandemia de COVID-19 colocou mais um holofote sobre o sistema de saúde, sua relevância para a população e, também, para o giro da economia

A pandemia de COVID-19 abalou tanto a saúde quanto a economia do mundo. No Brasil, ela despertou ainda mais a atenção de todos para a necessidade de fortalecimento da cadeia interna de produção. A demanda mundial por respiradores, por exemplo, nos mostrou como é importante que um país continental como o Brasil, com quase 210 milhões de habitantes, consiga suprir suas necessidades internas para que não se torne mais um dependente das importações, o que, em momentos de tensão como o que estamos vivendo, pode se tornar um grande entrave aos cuidados de saúde.

Em evento do setor realizado recentemente, Carlos Gadelha, economista da Fiocruz, declarou que o sistema de saúde no Brasil precisa ser trilhado de forma mais estratégica e que, por vezes, não podemos pensar em nos especializar apenas neste ou naquele produto pois temos uma demanda interna muito ampla.

“Se estivéssemos falando da Bélgica ou do Chile, por exemplo, poderíamos pensar em produções especializadas. Mas temos 210 milhões de pessoas no Brasil, o maior sistema de saúde universal do mundo e nossa demanda interfere, inclusive, na cadeia global”, declarou.

Igor Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ao falar neste mesmo webinar sobre a retomada da economia após a pandemia de COVID-19, enfatizou o fato de que saúde e economia estão atreladas e que é impossível dissociar esses dois conceitos. “A gente precisa saber lidar com a interdependência entre saúde e economia, pois os dois sistemas de conectam e se retroalimentam”, declarou reforçando que durante essa crise pudemos observar como a indústria de equipamentos tem papel fundamental neste cenário.

Além de priorizar a produção interna, relembrando quão importante é o complexo industrial da saúde, as fabricantes brasileiras não podem deixar de investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, como comentou Calvet.

Leia mais: Pandemia de COVID-19 enfatiza importância da indústria de medical devices

“As empresas que sobreviverem à crise causada pelo novo coronavírus sabem que a volta para a competitividade se dará pela inovação em seus produtos e em seus processos”, declarou. Um dos pontos importantes é desmistificar o conceito da inovação apenas como algo disruptivo. O setor produtivo brasileiro não deve compreender a inovação apenas como o desenvolvimento de um produto revolucionário, mas sim como forma de otimizar seus processos para produzir mais com menos, apostar em reformulações para garantir um produto entregue com mais agilidade e menor custo e, até mesmo, focar em mudanças em suas plantas para abrir o leque e ampliar o portfólio.

Mudar o mindset pode ser necessário, já que é preciso apostar no pensamento de que só há necessidade de solução quando há um desafio. “Para termos uma sociedade voltada à inovação precisamos ter desafios a responder”, disse Calvet.

E, durante a maior pandemia do século, desafios é que não faltam para a indústria de saúde. Segundo o executivo da ABDI, ninguém é capaz de fazer absolutamente tudo e poucas empresas conseguem, realmente, se verticalizar. Para isso o conceito do nearshoring¸ formato de contratação ou terceirização que se encontra à uma menor distância, ganha ainda mais peso. “Vamos diminuir nossa dependência da China e da Índia e vamos diversificar nossa cadeia de suprimentos. Para isso a mentalidade empresarial precisa mudar, pois se continuarmos o tempo inteiro em busca dos menores preços chineses, quando vier outra pandemia teremos os mesmos problemas a enfrentar”, concluiu.

Esse debate traz à tona, mais uma vez, a necessidade do fortalecimento da indústria nacional no pós-pandemia. As fabricantes brasileiras de produtos e as empresas fornecedoras de serviços para a saúde encontrarão boas oportunidades para ampliar suas fontes de receita, fazendo contatos com quem terá demandas a serem atendidas e mostrando, ainda, o benefício da proximidade física.

Noticias Relacionadas