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Binah – Aplicativo usa inteligência artificial para monitorar pacientes com sintomas de Covid-19

Binah – Aplicativo usa inteligência artificial para monitorar pacientes com sintomas de Covid-19

Inédito no Brasil, sistema financiado pela mineradora Vale está integrado à plataforma de telemedicina da Unimed-BH e disponível para moradores em parceria com a Prefeitura de BH

Já pensou em detectar sinais vitais como saturação de oxigênio no sangue, respiração, níveis de stress e frequência cardíaca a partir de uma selfie? Isso mesmo, de uma foto tirada pelo celular. Parece ficção, mas é realidade. Sem ida ao posto de saúde e com resultado em menos de dois minutos. Como é possível? Contamos a seguir sobre uma parceria entre a Vale, a empresa de tecnologia Binah, a Unimed-BH e a Prefeitura de Belo Horizonte.

Os mineiros ganharam um reforço no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Desde a metade de julho, os pacientes de Belo Horizonte que reportarem sintomas da Covid-19 serão monitorados por um mês por um aplicativo de celular – o Binah, já disponível para sistema Android e brevemente para iOS. Serão aproximadamente 40 mil usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) contemplados pela iniciativa financiada pela Vale, em parceria com a Unimed-BH, que cedeu a sua plataforma de telemedicina para consultas online.

Leia mais: 5 dicas para implementar uma telemedicina de ponta

A proposta da empresa desenvolvedora do aplicativo foi contemplada pelo Desafio Vale Covid-19 - uma parceria da mineradora com o Hospital Israelita Albert Einstein e a Rede Mater Dei de Saúde. Lançado em março, o edital destina US$ 1 milhão (R$ 5,22 milhões) para 12 soluções no Brasil e no Canadá, com vistas em reduzir os impactos do novo coronavírus na sociedade.

O aplicativo utiliza a câmera do celular e através de tecnologias de processamento de sinal e inteligência artificial combinadas com um processador matemático analisa a imagem pelo reconhecimento facial. Ao posicionar o smartphone como se fosse tirar uma selfie, o usuário deve apenas acionar a câmera e deixá-la nesta posição por 1 minuto e 15 segundos. Nesse intervalo, o software coleta parâmetros vitais a partir da bochecha e da testa do paciente. Desenvolvido em Israel, ele já é utilizado por cerca de 20 milhões de pessoas no mundo. 

Qualquer morador de Belo Horizonte cadastrado em um centro de saúde e que sentir sintomas da Covid-19 – como tosse, dor de garganta, congestão nasal e coriza – pode entrar em contato com o serviço de saúde da cidade por meio do site consultacoronavirus.pbh.gov.br. Ao se consultar com um médico, ele receberá um link para acessar a plataforma de telemedicina da Unimed-BH, que foi cedida gratuitamente ao município. Em seguida, o usuário poderá baixar o aplicativo, registrar-se e enviar seus dados para os médicos. Ele será acompanhado por um mês sem necessidade de se deslocar para uma unidade de saúde. 

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Todas as parceiras contempladas pelo Desafio Vale Covid-19 doarão uma parte do material produzido ou do serviço oferecido para instituições de saúde de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo, entre outros. No total serão beneficiadas 600 mil pessoas e cerca de 100 hospitais.

“Com o Desafio Vale Covid-19 estamos usando a inovação aberta para criar um impacto positivo na sociedade ao doar parte da produção ou dos serviços para unidades de saúde”, explica o executivo da equipe de inovação aberta da Vale, Marcos Calderon. “Também estamos ajudando a acelerar o ecossistema de inovação ao conectar diferentes parceiros em prol de um objetivo comum”. 

Segundo Cláudio Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde e sócio investidor da Binah no Brasil, existe um ganho de gestão significativo: “além de auxiliar no tema pontual que é a cura da doença, o uso deste tipo de tecnologia permite um aprimoramento de todo um sistema de saúde, evitando consultas ou idas a unidades de atendimento sem necessidade. Assim, é possível direcionar os serviços para os casos mais urgentes”, afirma. 

Em matéria de O GLOBO, foi noticiado que Lottenberg investiu US$ 1 milhão para lançar o Binah e está em negociação com diversas empresas, não só da área de saúde. Os usos vão além das consultas por telemedicina. Há negociações com empresas que buscam soluções de monitoramento para a retomada do trabalho presencial. De acordo com o médico, os primeiros contratos devem sair em 30 dias, no entanto o aplicativo não deve ser liberado para o consumidor final.

Fundada em 2016, a Binah já levantou US$ 13,5 milhões (R$ 70,52 milhões) com fundos de venture capital no mundo. A tecnologia está sendo aprimorada e até o final do ano deve ser atualizada para incluir indicadores de pressão arterial, temperatura, taxas de hemoglobina e até nível de álcool no sangue.

O diretor-presidente da Unimed-BH, Samuel Flam, acredita que esta parceria poderá beneficiar ainda mais a comunidade de Belo Horizonte. “A Unimed-BH entende que, como cooperativa médica, tem uma responsabilidade compartilhada na gestão da cadeia da saúde em nossa cidade e região. Agora, com esta parceria com a Binah e a Vale, ampliamos sobremaneira nossa atuação junto às comunidades de nossa cidade. Estamos convictos de que a cooperação e a inovação são fundamentais para enfrentarmos este momento tão crítico para todos os brasileiros”, destaca.

Consulta online coronavírus - A consulta online é uma forma de atendimento rápido e que contribui para o isolamento social, protegendo as pessoas do risco de contágio – uma vez que não precisam se deslocar para um pronto-atendimento. Em uma atitude de cooperação, a Unimed-BH fez a cessão da tecnologia da consulta online para a Prefeitura de Belo Horizonte que, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, passou a oferecer o serviço para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) da capital. Atualmente, mais de 7 mil pessoas já foram atendidas utilizando a plataforma. 

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